Pressionado por problemas no segmento de crédito imobiliário de alto risco conhecido como subprime, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, já recuou quase 9% em menos de um mês.
Falar isso é fácil, mas entender esta crise não é tanto assim. Montei um esquema passo a passo para você entender a crise imobiliária e o porque dela afetar de forma tão drástica a economia brasileira.
1- A venda de casas nos EUA é uma das atividades mais importantes da economia do país. São bilhões de dólares movimentados nesse ramo.
2- O setor enfrenta uma crise. Só para vocês terem uma noção, em junho as vendas de imóveis novos caíram 6,6%, mais que o triplo do previsto. Além disso, subiu o número de compradores com prestações em atraso. Hipotecas estão sendo executadas.
3- Com medo, os bancos dificultam novos empréstimos. Isso faz cair mais ainda o número de compradores, o que agrava a crise.
4- Os preços dos imóveis estão caindo por causa disso. Analistas prevem mais baixas até o final de 2008.
5- O problema pode afetar o nível de emprego e o consumo, causando uma recessão geral na economia americana.
6- Como os EUA estão entre os maiores consumidores, todo o mundo é afetado. Países que exportam para lá, como o Brasil, são diretamente afetados.
7- Mas o pior efeito de todos é o efeito financeiro. Ações de construtoras foram compradas por grandes fundos de investimentos.
8- Se essas construtoras quebram ou suas ações perdem valor, os fundos perdem dinheiro, por isso eles vendem essas ações em massa, causando quedas expressivas na bolsa.
9- Queda na bolsa de lá = queda na bolsa daqui. E menos dinheiro no nosso bolso.
No entanto, as projeções anteriores permanecem positivas. Diversos analistas destacam que a bolsa continua atraente e estipulam preço-alvo de 67 mil pontos para o Ibovespa ao fim de 2007, projeção esta, feita pela Itaú Corretora.
Os argumentos da instituição baseiam-se em melhores dados macroeconômicos e no desconto frente a pares globais. Fundamentos que falam mais alto, deixando o prejuízo recente como mero ajuste casual.
Além disso, lembra o economista chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, a economia brasileira, apesar de alguns desafios a serem enfrentados, "deve ter bom ritmo de crescimento nos próximos trimestres, com foco no mercado interno. Ou seja, as perspectivas para as empresas do país são favoráveis".
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
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